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1.23.2011

Acontecimentos do Catano - Presidenciais #2

Considero vergonhoso que num dia de eleições, às 16h, a afluência às urnas seja apenas de 35,16%. Se havia coisa que eu achava uma piada imensa quando era pequena, era sair de casa com os meus pais a um domingo de eleições e ver toda a gente a matar-se para conseguir estacionamento na estreita rua onde ainda hoje se situa a minha escola primária. Naquela altura o meu maior desejo era, um dia, poder também contribuir para aquela maciça confusão e dar a minha opinião em relação ao país do qual sou cidadã.

Hoje a confusão foi estranhamente reduzida, e quando voltava para casa três vizinhos meus estavam encostados a uma parede e começaram a praguejar "vai ficar tudo igual, nem sei porquê que saem de casa com este frio". Lógico que eu entendi que a boquinha era para mim e para a minha mãe, mas segui sem dizer nada para além de um humilde "boa tarde". Tenho quase a certeza que estavam na rua àquela hora, a apanhar frio, mas nem se tinham dado ao trabalho de atravessar a rua para votar, e infelizmente este é o reflexo da maioria ignorante existente no nosso país. Gente de tal calibre nem direito a ser chamados de cidadãos haveriam de ter, já que têm quem tome as decisões por eles, e no entanto reclamam como se fossem donos da razão. As coisas não mudam porque as pessoas não querem! As coisas não mudam porque mais de 50% da população nacional não sabe pensar por si mesma nem tem pensamento crítico! As coisas não mudam porque as pessoas se acomodam à sua triste normalidade...

Fiz 18 anos em Setembro de 2009 e desde então sempre tenho exercido o meu direito de voto. Fico muito triste com estas situações ridículas. Infelizmente será assim durante muito tempo, mas eu ergo a cabeça de consciência tranquila, porque, pelo menos, já fiz mais pelo meu pais que aqueles três tristes que estavam a reclamar.



PS (20:15h): Estes resultados só revelam a merda que este país é. Já não bastava a abstenção escandalosa, que reflecte a população estúpida e ignorante que temos, e agora ainda temos que levar com um idoso decrépito por mais um par de agoniantes anos.
Parabéns, meus queridos. Agora sofram!

1.22.2011

Acontecimentos do Catano - Presidenciais

Exerçam o vosso dever cívico.


1.12.2011

Acontecimentos do Catano - ... #2

He's back <3

11.03.2010

Acontecimentos do Catano - I Don't Wanna Come Home

Foi lindo, foi mágico, foi perfeito, foi magnífico. O concerto de ontem, do Michael Bublé foi, de longe, o concerto mais fantástico a que já fui. Aquele senhor é um entertainer puro, conseguindo pôr todo o público a cantar aos gritos, público esse que encheu todo um Pavilhão Atlântico com gente dos 8 aos 80.

É impossível ficar indiferente àquela voz que num momento acalma e no segundo seguinte espanta. Durante aquelas duas horas houve tempo para tudo: troçar do Twilight, falar do casamento dele, apresentar os seus músicos da forma mais original possível, invadir o público, "engatar" o senhor da primeira fila, ...

Eu tenho consciência que ele dirá as mesmas piadas em todos os concertos, que ele faça as coisas sempre de forma semelhante, mas foi muito especial porque foi para nós que ali estávamos naquele momento e não cantou de forma igual ao dia anterior, e que de certeza que houve qualquer coisa que foi dita com outra intenção que não a habitual.

É impossível transmitir por palavras o que se passou naquelas três horas, com a primeira parte de uma banda de Noca York, que canta acapella chamada Naturally 7, e duas horas intensas de Michael Bublé.

A música que achei que foi mais sentida, para além da Everything e a Me and Mr Jones, foi a Home, que se converteu numa união perfeita entre público e interprete. O que se passou foi muito semelhante a isto:


Resta-me desejar bom concerto a quem for hoje, porque de certeza que vai aproveitar tanto ou mais que eu. :)


PS: Sofia e Sara, os vossos gritos foram entregues :D

5.28.2010

Acontecimentos do Catano - Shut your eyes and sing to me

Acabei de espetar um garfo na perna para testar se esta ainda não tinha apodrecido. Isto porque não as sinto desde ontem à noite. Ok, talvez esteja a ser um bocadinho dramática. Digamos que uma pessoa, após realizar o sonho de uma vida de dezoito anos (que é uma coisa piquena, mas não se arranja melhor) em vez de ir para casa descansar, vai para a aula de Literatura. E de que é que eu estou a falar? Da minha ida ao Rock in Rio, como é lógico.

Vi Muse ao vivo, finalmente. Sete anos depois da primeira tentativa, na qual a minha mãe me chamou tolinha, consegui. Ela chamou-me tolinha desta vez também, a diferença é que desta fui mesmo, e não se ficou apenas por uma tentativa falhada.

Mal chegamos ao recinto fomos para o palco mundo. A ansia pelo último concerto era tal que quisemos marcar presença. A substituir os Sum-41 tivemos os Fonzie. A parte gira de os Canadianos não terem ido foi ver a cara de enterro de um grupo de espanholis que passaram todos os concertos de braços cruzados e sem reagir uma única vez.
Xutos é Xutos. Não sou apreciadora, confesso (e neste momento corro para o meu forte extra, super, hiper resistente, feito de almofadas e lençóis, em cima da minha cama, para não ser atingida por pedras de fervorosos fãs em rage mode) mas até foi um bom concerto. Cantei quase todas as músicas! Mas fiquei meia confusa quando começaram a rezar o Avé Maria O.o
Fiquei agradavelmente surpreendida com Snow Patrol. Sou fã da banda mas nunca considerei vê-os ao vivo. O Gary Lightbody é encantador. Extremamente humilde, muito fofo. Daquele tipo de pessoas que dá mesmo vontade de abraçar, dar beijinhos e apertar bochechas. Aqui cantei mesmo todas. A "You Are All That I Have" e a "Make This Go On Forever" arrepiaram-me. A "You Could Be Happy" iluminou a Bela Vista de forma mágica e a "Shut Your Eyes" pôs toda a gente a cantar. Na "The Golden Floor" o Gary enganou-se, mas com aquelas palavras que ele disse antes da música desculpa-se tudo.
Na transição entre Snow Patrol e Muse eu só me queixava que queria uma casa de banho, mas sair daquele local era impensável! Estavamos a uns dois metros, ou menos da grade e não podiamos deperdiçar a oportunidade de ver Matt, Dom e Chris de tão perto.
"É O CHIS QUE ESTÁ SOZINHO NO PALCO, A FUMAR!"
Segundos depois entra o excelentissimo Dominic Howard, seguido do exuberante Matthew James Bellamy. O mundo parou na hora e meia seguintes. E nem sei o que me passou pela cabeça. Gritei, cantei, saltei, vivi. Foi único. Talvez o concerto nem tenha sido por aí fora. Ficaram muitas músicas por cantar, mas eu não quero saber. Eu ouvi-os e isso para mim foi das melhores sensações da minha vida! É complicado explicar a dimensão do que se passou, porque só quem a vive é que entende. E como cada um a vive de forma diferente, não tenho obrigação de a tentar exprimir, visto que nunca ninguém o iria compreender.

Vou tentar publicar algumas imagens do evento nos dias que se seguem!

Agora é trabalhinhos e exames, minha gente. Acabou-se a festa (talvez só até Placebo, vá...) .

Ah! Já agora, vejam também isto. A sério, não é nenhum monstro :D

5.12.2010

Acontecimentos do Catano - Manobra de Diversão

Para os mais distraidos, que não devem ter televisão, e que ainda não sabem, o Papa está em Portugal. A toda a hora, em qualquer canal de televisão em sinal aberto é possível dar de caras com algo referente a esta tão épica visita. O conceito de zapping deixa de fazer qualquer sentido, isto porque no canal seguinte estará a ser transmitida precisamente a mesma coisa, só que num angulo e com luminosidade e brilhos diferentes. A meu ver, esta vinda do Sumo Pontifíce até terras lusas não passa de uma engenhosa manobra de diversão que pretende desviar a atenção de uma série de acontecimentos que ocorrem em paralelo, como passarei a explicar.

Com a comunicação social a ocupar todas as suas frentes com assuntos religiosos, o governo decide negociar o aumento dos impostos. Sim, é verdade. Pedro Passos Coelho e José Sócrates estão empenhados na luta contra o défice e a medida prevista para resolver tal dilema é a subida do valor dos impostos. Se o povo não sabe, eles não são os maus da fita, no entanto muitos bolsos se irão ressentir.

Outro assunto que captou a atenção dos orgãos de comunicação foi a lista dos jogadores convocados por Carlos Queirós para o mundial de 2010 a realizar na África do Sul.  Muito sinceramente acho indecente que certos jogadores lá estejam e eu não. Apesar de não dar uma para a caixa, certamente que iria fazer muito melhor figura que eles. E se esses certos jogadores são para ficar no banco, mais valia que o senhor seleccionador nacional tivesse ido a uma tascazita com "sentadores" reformados profissionais e convidado uns quantos a assistir a uns joguitos em local privilegiado.

Vamos lá parar um bocadinho para raciocinar. Já temos religião e futebol, falta a família. É só impressão minha ou parece que o nosso país regrediu uns quarenta anos só numa semana? De repente apenas a visita papal e futebol importam a Portugal. Parece uma espécie de "Conta-me Como Foi", mas ao vivo e sem a Rita Blanco.

Depois de uma fantástica aula de Latim, muito pouco produtiva, em que traduzimos um texto que falava em fuga de galinhas, dirigi-me até à paragem de autocarros mais próxima para apanhar o mítico 200 Bolhão. Eu, na minha inocência, nunca pensei que me iria cruzar com tal figura. Entrei no autocarro e um clarão surgiu do lado esquerdo (talvez tenha sido o reflexo de um carro, mas gosto de pensar que era algum tipo de alerta divino). Era Ele! Era Jesus Cristo!! E eu tenho provas disso!!

(e sim, fui eu quem tirou a foto)

Enquanto que o Papa exige enormes mordomias, sapatinhos Prada, almofadinhas, roupinhas bonitas e o já famoso PapaMóvel, Jesus Cristo veste roupinha modesta, casaquinho gasto e anda de transportes públicos. Supostamente a pobreza é um dos votos feitos quando os padres são ordenados, isto por ser um dos valores, juntamente com a castidade e a obdiencia. Eu sou católica, catequista e acho vergonhoso o actual estado da religião cristã, que se preocupa mais com a ostentação e o brio do que com os valores que supostamente deveriam estar enraisados em todos aqueles que a professam, especialmente nos seus representantes mais directos e importantes. Não tenho por hábito expressar os meus valores quanto a estes assuntos, mas isto é algo que me incomoda seriamente. 

Para finalizar, após a exposição destes argumentos acho que posso considerar a minha teoria válida. A visita do Papa não tem como propósito evangelizar nem o próprio Bento XVI é o factor importante. Apenas não passa de uma forma de distrair o país da subida dos impostos, da convocatória do mundial e acima de tudo da visita de Jesus Cristo à cidade do Porto.

4.21.2010

Acontecimentos do Catano - Eyjafjallajökull

[Aviso: O texto que se segue pode ferir a sensibilidade de determinadas pessoas com extremo mau gosto.]

O

Não, a palavra que escrevi no título não se trata de um insulto em nenhuma língua esquisita. Aquele misterioso termo trata-se da designação correcta, e desconhecida por muitos, do fenómeno natural a que todos chamam "vulcão da Islândia". Muito sinceramente não compreendo qual é a dificuldade de se dizer "Eyjafjallajökull". Proponho um exercício: repitam "Eyjafjallajökull" três vezes seguidas e muito rápido. Quem conseguir fazê-lo sem aparentar padecer de alguma complicação mental ganha um chupa.

Este magnifico vulcão permitiu, entre muitas outras coisas, que individuos de variadas nacionalidades prolongassem as suas férias em destinos como Paris, Palma de Maiorca, Algarve ou até mesmo locais mais exóticos, como por exemplo o aeroporto da Portela ou a bela região de Santa Comba Dão. As supostas cinzas expelidas por este vulcão são a razão pela qual o tráfego aéreo se tornou mais caótico que o cérebro de Cinha Jardim, mas eu, como pessoa informada que sou, tive conhecimento que tais poeiras não são provinientes de tal vulcão, mas sim das gavetas de um conjunto muito específico de "grupies", adeptos de um clube que se diz com muitos apoiantes. Essas gavetas especiais continham t-shirts de cor vermelha, cachecóis com vestigios de traças e caruncho e uma variada panóplia de artigos alusivos a uma suposta instituição denominada por Sport Lisboa e Benfica. O rumor de que tal instituição irá conquistar o campeonato nacional abalou todos aqueles achavam que tal feito não passava de uma miragem. As peregrinações ao santuário de Fátima aumentaram substâncialmente, bem como as promessas a outras figuras como São Eusébio da Silva Ferreira ou São Vale e Azevedo, que declarou que só aceitava promessas em dinheiro, garantindo que cada cêntimo iria ser cobrado.

No seguimento da erupção do Eyjafjallajökul, fomos alertados para a possivel actividade do vulcão Katla nas próximas semanas. Quase que aposto que tal fenómeno irá coincidir com a decisão definitiva do vencedor do campeonato português, altura em que os grupies acima mencionados terão coragem de sair de casa com os ditos adereços para a rua, sem medo de serem vitimas de bullying.

Resta-nos aguardar por mais desenvolvimentos e rezar para que a atmosfera que envolve Portugal não se torne irrespirável nas semanas que se seguem.

1.16.2010

Acontecimentos do Catano - E Rio Tinto volta ao telejornal

-Desculpe, qual o caminho para a estação de Rio Tinto?
-O senhor está a ir bem. Ora, portanto...




[Como eu ia a passar não ouvi as indicações dadas, mas quase que aposto que lhe mandou seguir o rasto de buracos na estrada que tivessem automóveis lá dentro. Pá, morar em Rio Tinto tem a sua beleza. Ou metemos água, ou enfiamos veículos em condutas de ar que explodem, ...]

12.22.2009

Acontecimentos do Catano - Fujam! É o Apocalipse!

(pelo menos no Porto...)

Sabem onde é que eu moro? Em Rio Tinto. Se nunca tinham ouvido falar desta magnifica terra, tenho-vos a dizer que têm perdido uma grande coisa. Morreu um dos nossos cromos de serviço, o Jorge Manco, mas ainda temos o Quim Borrachão, também conhecido como Jardel e o Pisco, um emplastro de influência reduzida.

Se nunca tinham ouvido falar desta terrinha, plantada no concelho do Valentintim, distrito do Rui Rio, fiquem a saber que, na noite passada, meteu àgua ao ponto de ter direito a noticias de jornal, a aparecer no "Nós Por Cá" e ainda direito à abertura do telejornal da RTP. Eu não vi canal mais nenhum e ri-me bastante com Rio Tinto a abrir o dito cujo, e ainda para mais a ter direito a emissão em directo da zona do próprio do rio, que está tão bem tratado e limpinho que encheu que nem uma banheira. O nosso presidente, o Marco Martins, é um porreiro. Tem feito bastante pela cidade, pena que o espirito cívico de muita gente ainda esteja adormecido e não contribuam para a melhoria das condições da 14ª maior cidade do país. Querem elevar a freguesia a concelho, mas esquecem-se que, apesar de haver as condições necessárias a nível humano, ainda não possuimos os meios legais e serviços mínimos exigidos para tal. Apesar de tudo, gosto muito disto. É uma cidade muito agradável para se viver, e tem tudo o que é necessário. Como todas, tem as suas lacunas, mas deixem acabar as obras do metro, lá para Setembro e vejam como isto vai ficar mais rodado que a tia Lúcia.

Ah! Tenho ainda a dizer que, como boa riotintense que sou, também tive a casa alagada. Em tom de brincadeira disse que o apocalipse estava a roçar Gondomar e não é que quando me levanto, tinha a sala das traseiras tipo piscina? E a gata, meia atordoada, a miar, com uma pata do ar, a ver se a salvava da humidade. Nestas situações reajo de forma muito peculiar: só me consigo rir.

12.16.2009

Acontecimentos do Catano - Sismo dia 17/12/2009

UMA HISTÓRIA DE SOBREVIVÊNCIA


Estava eu sentada na sala, no sofá, a tentar ganhar vontade de estudar e o chão tremeu. Eu não senti, o meu sismo foi mais cibernautico, visto que o twitter começou a cuspir mensagens do nada.

E pronto, foi isto...


[Sismo de 5.7 ou 6.0, ou lá quanto foi na escala do senhor estrangeiro, a 100, ou 180 km do Cabo de São Vicente, às 01.37h e réplica às 2.11h. É o que têm dito. Só sei que a culpa não foi minha...]

10.27.2009

Acontecimentos do Catano - Semana da Academia

Tenho estado ausente, eu sei. Não tenho tido tempo sequer para respirar. Tenho uma professora com o mesmo apelido que o apresentador do Jogo Duplo que me põe a cabeça em água com três trabalhos semanais e o meu estado de saúde encontra-se num estado bastante instável. Em suma, estou a definhar ás prestações.

No entanto, o que me trouxe aqui não foi isso. Na passada semana decorreu a semana da Academia do Porto. Como o meu estado de saúde não era o melhor, participei, não em tudo, mas no que pude. Tudo teve inicio com a Serenata da Academia, no domingo, onde, pela primeira vez na história, o grupo de fados da honrosa Faculdade de Letras da Universidade do Porto participou. Seguiu-se a Noite Negra, na terça feira, na qual não compareci porque estava a tentar recuperar um pulmão que me fugiu durante a noite. Na quarta feira foi o dia do Cascos-Papper, em que, vergonhosamente, não compareceu ninguém do meu curso. Eu continuava na busca do meu pulmão, que convinha levar para Coimbra no dia seguinte, quinta feira, dia do Comboio do Caloiro. Quando eu já tinha perdido toda a esperança, o meu adorado pulmão voltou, a chorar, todo remeloso, mais congestionado do que quando tinha fugido. Disse-me que passara a noite desamparado, com um grupo de pulmões de fumadores, e como não padeciam da mesma enfermidade que ele, não se conseguiu enquadrar no grupo e decidiu voltar para casa. Ás seis horas da manhã, como sempre, de quinta feira, já com o meu amigo pulmão, desperto com o intuito de me deslocar até à mágnifica cidade de Coimbra dentro de um comboio atolado de gente. Despedi-me da minha cama, pois sabia que naquela noite iria prescindir dos seus prezados serviços, e pus-me a caminho.
Casa -> Metro do Dragão -> Estação de Campanhã -> Coimbra.
E foi assim. Durante a viagem, como estava sob o efeito de muitos, mas mesmo muitos medicamentos, até deu para cantar musicas pimba aos berros. Já em Coimbra, com muita pena minha, pouco consegui ver. No entanto, afirmo com a maior das seguranças que o chão é qualquer coisa de fantástico. Sentir-me-ia à vontade ao fazer uma dissertação acerca do assunto, pois foi aquilo com que tive mais contacto ao longo das quase vinte e quatro horas que lá passei. Durante o dia andamos algures pela cidade, à noite fomos para o recinto da Festa das Latas. No estado fantástico em que me encontrava, optei por ficar com uma outra caloira e alguns doutores sentados num sitio algures, sitio esse que por acaso se situava bastante perto de um outro sitio que aparentava ter um grande poder de atracção de actividades menos próprias. Por trás do contentor do lixo passava-se algo de paranormal. Indivíduos a utilizarem-no como casa de banho, outros como vestiário (ver traseiros de gajas gordas às duas da manhã não é anda agradável), outros como local de viragem do barco, enfim, todo um conjunto de coisas agradáveis. A uma dada altura pensei mesmo que se fosse criar um afluente do Mondego mesmo ali, à quantidade de líquidos libertos. Acabada a festa, voltamos para o comboio que nos traria de volta ao Porto. Cheguei a casa por volta das sete horas da manhã e a sentir-me mais doente do que quando tinha ido. Para prevenir futuras fugas, amarrei o meu pulmão com correntes e bastante cola.
Domingo seguinte, dia da latada, juramento e baptismo no Porto. Foi uma sensação inexplicável. Gritei tanto, mas tanto, mas tanto, tanto que no dia seguinte, ou seja, ontem, não tinha voz.

Factos a reter desta experiência:
- Assustei-me com a forma como alguns doutores de outras casas se trajam. Uns praxam sem capa traçada, saias acima do joelho (e não me refiro a doutoras de Coimbra, são mesmo do Porto), reduzido nível de sangue no álcool, pseudo rockstars. Em suma, betos, pitas e pessoas esquisitas. São coisas destas que me fazem ter orgulho na casa que represento, onde o respeito, a honra e a eloquência são palavras de ordem.

9.21.2009

Acontecimentos do Catano - O dia em que eu ganhei cascos

Dia 21 de Setembro de 2009, o dia em que me tornei besta experimental da praxe da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, praxe de LLM, curso oficial de Línguas, Literaturas e Culturas.
Ás oito e trinta da manhã, uma mancha negra entrou-me pelos olhos dentro, ferindo-os e tatuando uma imagem que nunca sairá das paredes da minha caixa craniana. Emoldurado que nem tatuagem numa loja onde se faz as ditas cujas, ou então tipo catálogo, onde o pessoal pode escolher aqui... ok, acho que já se percebeu. Sim, eram doutores e veteranos, ansiosos pela chegada de putos novinhos para praxar com o maior dos gozos. Passei por eles e assustadoramente nenhum deles me abordou.

-Inês!

Rodei a cabeça muito lentamente, que nem cena em slow-motion num filme foleiro de adolescentes de domingo à tarde.

-Anda, estamos com um.... DOUTOR!

Os meus folículos pilosos fizeram por eriçar todos os meus pelos. Não, não era frio, era o chamamento que eu mais temia, o chamamento para o duro, frio e desumano caminho da PRAXE! Aquela palavra entrara pelos meus canais auditivos como adagas, mas muito pequeninas, porque eu não sou o Dumbo, tenho orelhas de tamanho normal.
Segui, segui com um ingénuo e indefeso grupo de meninas, sempre atrás de um Doutor, até ao seu covil, onde se encontravam os restantes membros maçónicos que nos iriam receber e usar da forma como bem entenderem. Para meu espanto, mandaram-nos ir para as aulas e retornar ao local da chacina.

Primeira aula-Auditório 2, Espanhol:
Professora simpática, espanhola, a viver em Braga.

À porta, já nos esperavam morcegos sedentos de sangue novo, mais uma vez para nos encaminha até outros tantos morcegos. Dirigiram-nos pelas catacumbas do seu covil para uma das plataformas de tortura. Ensinaram-nos a saudar Doutores e Veteranos, a posição de caloiro,... Aprendemos ainda que caloiros não tem mãozinhas, tem cascos. E andam sempre dois a dois, de casco dado. Após uns quantos ensinamentos e uns minutinhos de tortura, dirigiram-nos até à BANHEIRA. Um espaço pequeno onde depositaram mais de 100 caloiros. Após imitar galinhas, pipocas e outra coisa qualquer com imensa piada que não me ocorre de momento, madaram-nos sentar no chão, tarefa impossivel aos olhos de quem por ali passasse, e de facto foi. Toda a gente se sentou no chão, menos eu, que fiquei em cima das minhas próprias pernas, com gente em cima. Ou seja, para além do meu próprio peso, tinha ainda em cima, o peso de mais dois traseiros alheios (que eu julgo pertencerem a um humano). Aguentei bem mais do que meia hora em cima de mim mesma, até que cedi... Verti uma lágrima de sofrimento, acompanhada com uma expressão de sufoco, que resultou no estender de mão de um elemento da comunidade de negro. Funcionou como uma espécie de luz de chamamento a criaturas do escuro. Estranhei, desconfiei, mas a minha dor era tal que estendi a minha mão também, na direcção daquela outra que me parecia tão traiçoeira.
Fui resgatada daquela banheira que aos meus olhos surgia como sendo um cruel oceano que, a pouco e pouco mais me afastava da vida.

-Que se passa? Sentes-te mal?

Curioso. Não berraram, não enxovalharam...

-Senta-te. Queres alguma coisa? Água, um lenço... O que te doi?
-As pernas. Não sinto as pernas.


Tudo isto sempre de cabeça baixada. Quando, finalmente, ganho atrevimento para a levantar, vejo-me rodeada de Doutores.

-Levanta-te e roda os tornozelos. Eu sei que doí, mas é melhor assim.

Uau.. Um senhor Doutor simpático.

-De que curso és?
-LLC.
-Em praxe és de LLM. Eu sei que isso custa. Vou só ali e já volto para ver como estás.

Rapidamente, uma outra Doutora conduz-me para uns degraus e pergunta se ainda me doem as pernas. Naquele momento a dor já se tinha desvanecido. Apenas sentia um formigueiro incomodativo. De imediato, ela e outra Doutora começam a massajar-me as pernas, na tentativa de as devolver ao mundo dos ressuscitados, ao lado de Jesus Cristo e Lili Caneças, sim, porque as minhas pernas morreram do joelho para baixo.

Senti-me acolhida por entre capas e trajes. Foi naquele momento que decidi: quero ser praxada.

Enquanto eu me recompunha, um senhor que fora identificado como o Cavaco Silva das FLUP, ou Dux-Facultis da FLUP, declamava algo que, devido ao meu débil estado não tive o prazer de ouvir.

Hora de Almoço.

Segunda aula-sala 106, Latim:
Professor enfadonho, bem melhor para dormir do que Xanax, no entanto, esforça-se por fazer entender.

Mais uma vez, membros da comunidade de negro nos esperavam à porta. Guiaram-nos para um local sombrio, por entre paredes de pedra, rudes e geladas, com janela aberta para o Rui Douro. Paisagem bela demais para o terror vivido por aqueles corredores. Chegados ao local, fui abordada por um Veterano que já tinha conhecimento do triste episódio, protagonizado pela minha pessoa na banheira. Aliás, todos eles já sabiam. A praxe é pior do que os cabeleireiros, no que diz respeito ao circular de informações...
Teatro era o que nos esperava. Por entre Borats, Noddys Emo, Michael Jackssons ressuscitados e Nelminhas, surgiram estas duas músicas: 1ª, 2ª, conhecidissimas do público nacional.
Mais uma vez dispensados, mais uma aula.

Terceira aula - sala 101 - Metodologia dos estudos literários de Português:
Professora cativante para uns, entediante para quem não tem hábitos de leitura e quem seja um pouco pobre em termos culturais. Muitíssimo interessante, a meu ver.

Saída da sala, mais uma vez acompanhada por doutoras que nos conduziram ao tenebroso local onde tínhamos estado anteriormente. Pedimos à Doutora dispensa da praxe. Aquela era a nossa última aula e havia greve dos transportes públicos do Porto. Ela compreendeu, mas encarregou tal responsabilidade para um outro doutor. Solicitamos dispensa, que nos foi concedida quase de imediato.

Nunca ver um autocarro me fez tão feliz. Adeus arena de touros disfarçada! Até, até...amanhã?? OH NÃO! MAIS?

9.11.2009

Acontecimentos do Catano - 5 Para a Meia-Noite

Peço desculpa pela demora de uma semana até à publicação deste resumo da minha ida ao 5 Para a Meia-Noite, mas a minha disponibilidade não mo permitiu fazer mais cedo.


Depois de ter dado umas quantas voltas por Lisboa, apanhei um taxi em Algés para Paço D'Arcos. Cheguei em pouco tempo, muitíssimo cedo. Bem antes do esperado. Ainda mal tinha saído do taxi e ouço uma voz familiar - "Inês? Tão cedo?" - era o Luís. Estava sentado nas escadas, à entrada do estúdio. Fiquei agradavelmente surpreendida por ter sido reconhecida de imediato. Deu tempo para trocar algumas impressões, perguntinhas da praxe. Pouco depois chegou o meu maninho. Ele é exactamente eu o imaginava... Conversamos mais um bocadinho, até que fomos convidados a entrar no estúdio. Visitamos uns quantos sitios. Fiquei deslumbrada com as dimensões enganadoras que a tv nos transmite. À entrada do estúdio encontramos uma das personagens mais emblemáticas do 5 Para a Meia-Noite: a Dona Helena. É uma senhora encantadora. Muito pequenina, extrovertida e muito comunicativa. Um doce.
Tivemos o privilégio de assistir a um ensaio "de merda", segundo palavras de Luís Filipe Borges, mas que a meu ver foi fascinante.

Conhecemos o António Raminhos, que também me reconheceu. Ele é mesmo alto! Senti-me uma anã ao lado dele. Também nos deu trela por uns minutos. Disse-me para não seguir Comunicação Social, para ir para Relações Internacionais. Parecendo que não, foi um conselho que tomei bastante em conta. Ele é tal e qual aquilo que vemos na tv. Sempre na brincadeira, a mandar piadas. Ah! De salientar o importantíssimo facto de termos assistido a uma cena de intensa pancadaria: depois de António Raminhos dizer que a Dona Helena parecia um ninja, esta revoltou-se e desatou à chapada no dito cujo. Nem foi necessário o garrafão!
Quando fomos recambiados para o estúdio novamente tivemos que experimentar o sofá. Aquilo é mesmo confortável! Sentamo-nos em poses estranhas, numa tentativa de imitar a Catarina Furtado. Parecíamos tolinhos.
O estúdio estava a abarrotar. Aquilo é muito pequeno. Tem capacidade para umas 15 pessoas, no entanto, encontravam-se lá mais de 50!
O programa foi iniciado connosco. Que privilégio! Ajudamos na cantoria inicial, rimo-nos, eu esbardalhei-me ao falar com o nervosismo mínimo que estava contido em mim.

"Não sei se já repararam, mas estão a roubar tempo útil ao presidente da Câmara de Lisboa. Dou-vos 10 segundos. Têm 9 segundos para basar do sofá."

E assim saltamos para os banquinhos que nos foram destinados. Eu por mim sentava-me no chão, mas o Betão (grande Betão...) não deixou. Ficou o Johny no chão até que o Fábio se tornou o "webcam manager", a pedido do seu próprio pai, o Boinas.

Já depois do directo, cantaram-me os parabéns. O presidente da Câmara de Lisboa e restantes pessoas que estava no estúdio cantaram-me os parabéns. Foi épico. Eu senti-me muito pequenina. Tantos pares de olhos em cima de mim, ali mesmo à beira.
Deu-se ainda uma reunião de fantásticos e bédafofos "twittólicos". Mas que gandas malucos... É estranho dar de caras com gente que conhecemos através de uma rede social "sem cara", parecia que nos conhecíamos todos bem .

Com muita pena minha não fui com o pessoal quase todo para o bar. No entanto usufrui de uma agradável viagem de carro até Coimbra ao lado do Fábio . Foi a loucura! Só vos digo que a conversa pelo caminho envolveu pentes, zebras, pêssegos em Santarém e mais umas quantas idiotices. Em Coimbra ainda esperei uma hora e quarenta por um comboio que me levasse até Aveiro, onde apanhei outro para Campanhã. Escusado será dizer que eu estava mais morta do que viva. Os 9 graus com que Coimbra me recebeu ao amanhecer só não me gelaram a alma.

Um dia realmente memorável. Faltava lá o resto do pessoal do blogue de fãs, mas conheci pessoas fantásticas. Só o deverei esquecer se tiver uma crise amenésica ou então se desenvolver Alzheimer, mas tal não me parece...pelo menos por agora.


P.S.: Apesar de a chegada do Johny não ter sido mencionada, não desvaloriza a sua importância. Foi o autor da minha primeira prenda de anos e a mais especial, dele e do Fábio, e teve paciência para levar com a minha parvoíce a noite toda. Apesar de ter sido o nosso "segundo encontro" (sem más interpretações, atenção), adorei a companhia. Feliz?? =P

7.12.2009

Acontecimentos do Catano - E a gripe chega às igrejas

Ouvi hoje uma noticia (e certamente muitos de vocês) na qual D. Jorge Ortiga, , presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, disse ao "Correio da Manhã" que "se avançar alguma medida mais radical, os católicos ficam dispensados de ir à igreja, podendo assistir à missa pela TV".



Já estou a imaginar velhinhas na rua com o cabelo todo no ar, entranhadas com electricidade estática, provocada pela tentativa de lamber a hóstia a partir do ecran do televisor.



Não estou a dizer que discordo com a ideia. Se for por uma questão de saúde pública, lógico que faz todo o sentido, no entanto, consiste numa excelente forma de os chamados "católicos não praticantes" se desculparem. Imaginemos um diálogo entre um desses ditos católicos e o "Chefão":



Deus: Com que então és católico e não vais à igreja desde o baptizado da tua filha? Olha que ela já tem 23 anos e foi baptizada com seis meses.
Não-Praticante: Sabe como é que é. Não há tempo. O trabalho apodera-se de tudo e mesmo à hora da missa aparece alguma coisa para fazer. Não é falta de vontade, é falta de compatibilidade de horários.
D: Eu acredito meu filho. Não és o único. Mas vens pedir mesmo o quê?
N-P: O que eu queria mesmo era ganhar um viagem a um sitio diferente. México ou assim.
D: Eu acho que é possível. Aqui no meu caderno diz que é possível. No entanto também prevejo..
N-P: Obrigadinho, ó Grandalhão. És um fixe pah. Cumps à patroa!

pi-pi-pi-pi (fim de chamada)

D: Eih! Eu não tinha acabado. Faltava dizer que prevejo uma pandemia de alguma coisa para lá. Urticária? Não, muito comichoso. Diarreia? Naaaa, muito nojento. Já sei! Gripe. É isso tudo.


Dias depois...


N-P: Ó Deus, *atchim* com que então *sniff* mandas-me para um país e logo de seguida mandas para lá uma pandemia? *cof*cof*
D: Não sabia de nada. Deve ter sido o meu mais novo que marcou. Mas olha, já que gostavas tanto de ir à igreja e não podias a partir de agora podes ver na televisão ou ouvir na rádio sempre que queiras! Vale o mesmo para mim, já que está tudo doente.
N-P: Mas...!

pi-pi-pi-pi-piiiiiiiiiiiiiiiiii

6.01.2009

Acontecimentos do Catano - Avião desaparecido

Como é que é possível perder uma coisa tão grande? Se fosse o avião do Noddy ainda entendia, se bem que aquele amarelo é um pouco complicado de perder de vista.


Segundo a TVI, o avião já não se encontra mais no ar, visto a gasolina ter provavelmente acabado. Mas eu tenho uma teoria. Isto é tudo uma estratégia por parte do governo espanhol de amealhar turistas para a região das Canárias (zona onde o avião desapareceu, de acordo com as estimativas) e de vender bananas, já que a crise é para todos.


Uma outra coisa que me intriga é que quando se dão casos destes, o único interesse da comunicação social do país é saber se há portugueses a bordo, que é como quem diz "deixa ver se despachamos o assunto para podermos pôr o Avô Cantigas de volta em voga e assim descartar responsabilidades, que até é aborrecido", pelo menos até Domingo (o meu professor de História quase que me bateu e fuzilou com os olhos quando denominei o constitucionalista por avô Cantigas, agora imaginem se ele visse Os Contemporâneos!).



p.s: A minha progenitora faz hoje aninhos! Parabéns Mãe! Serás uma eterna criança :)

4.26.2009

Acontecimentos do Catano - Gripe suina

NÃO!

E os porquinhos mealheiro? Também estão em risco O.o??



(espero bem que não...)

2.23.2009

Acontecimentos do Catano - Carnaval de Samora Correia 2009

"Seguramente mais de 20mil pessoas no carnaval de Samora Correia". Ai... Não me contenho de tanto rir! Bem, como boa nortenha que sou, decidi infiltrar-me num carnaval lá do sul na tentativa de...qualquer coisa. Mas tentei ao menos.

Por volta das seis horas da manhã saímos do Porto em direcção ao Ribatejo, mais especificamente Samora Correia, uma vila no concelho de Benavente. Pode nem ser um carnaval muito grande, mas pelo menos continua de borla. Ao longo do penoso caminho percorrido de automóvel apercebi-me de uma ameaça que pelo que perece se está a desenvolver a olhos vistos. Durante o percurso reparei que o país não consegue controlar essa epidemia que se difunde amplamente. Fosse por que terrinha fosse deparava-me sempre com pelo menos um PINGO DOCE! Eles são aos milhares e vêm para dominar o país! Quando virem um fujam, ele pode tornar-se agressivo e atacar-vos com minis Ritas Blanco a proferir de forma interminável a lista de preços e promoções do dito supermercado.

Voltando à Cinha Jardim, desculpem, vaca fria, Samora Correia orgulha-se de ter o melhor carnaval do Ribatejo, cheio de cor, alegria, boa disposição, tudo ingredientes essenciais para a época. As estrelas deste ano eram Rui Bandeira, o convidado especial, Bélina, a rainha do cortejo e João Pimentel, um imponente rei de quase dois metros de altura. No entanto, uma menina do norte, habituada a pessoas afáveis e simpáticas, fica meio atarantada quando tenta comprar uma garrafa de água e a tomam como assassina em série.
-Desculpe! (enquanto fazia gestos para chamar à atenção da exímia senhora)

Ela aproxima-se de mim, com ar de má e abana-me a cabeça de uma forma medonha como quem diz “o que queres, ò insolente?”

-É uma garrafa de água das grandes.

Olha para trás, foca a garrafa e olha novamente com cara de desconfiada.

-Fresca ou natural? (nesta altura, se ela tivesse um laser nos olhos tinha feito com que o meu esbelto cabelo fosse dizimado)

-Natural.

Pega na garrafa como se me tivesse a fazer um favor não retribuído e quase que a rebola para cima do balcão, ficando uns segundos a olhar para mim com ar de esgazeada.

-Quanto é?

A jeitosa olha em volta dela com olhinhos de que tinha fumado coisas menos recomendáveis, foca-me, faz um compasso de espera e finalmente responde.

- Um euro e dez.

Dou-lhe o dinheiro e quando eu ia perguntar se estava certo ela vira-me costas e afasta-se de mim como se eu padecesse de alguma doença infecto contagiosa.

A rua onde se realiza o cortejo é bem mais pequena que a rua em frente da minha casa. Estava cheia de pessoas, porque apesar de estreita, a rua era bastante longa, mas 20 mil pessoas era impossível ter naquele local. O senhor que estava a animar os foliões mandava uma lábia impressionante.

-Não ponham moedas nas caixas dos donativos que já são velhinhas. Ponham notas, que são mais leves e fáceis de contar.

Escusado será dizer que mais de metade das pessoas já o ignorava e era como se estivesse a falar para o boneco

Inicia-se o cortejo e o espírito carnavalesco atinge o seu auge. Estávamos nós a captar imagens e a filmar o espectáculo quando uma besta, bastante semelhante à do São João, se atravessa à nossa frente.




Mas ao menos este animal cedeu aos meus comentários ("Há pessoas que deixam o cérebro em casa e quando o trazem à rua não deve estar em muito bom estado") e teve a decência de se desviar, não a cinco segundos do fim , mas a uns bons cinco minutos.

2.15.2009

Acontecimentos do Catano - Dia dos Namorados

O relógio já gritava as sete horas da noite. Com a dor de cabeça que eu tinha só queria afastar-me o mais rápido possível do frenesim dos secadores. A minha mãe ligou-me a pedir para ir buscar o meu irmão a festa de anos de uma amiga. Peço delicadamente para sair e enfrento o escuro da cidade mais um sábado ao fim da tarde. Um sábado de são Valentim. Bastou-me uns cinco minutos para chegar a casa da aniversariante. A mãe dela abriu-me a porta, convidou-me a comer alguma coisa, convite que rejeitei educadamente. Apenas queria estar um bocadinho “em silêncio”, sem aquele barulho ensurdecedor que me acompanhava desde as 9h da manhã. Metade dos miúdos (praticamente só meninas) estavam quase que hipnotizados pelas maravilhas da tecnologias. Emaranhados entre playstations, psps e nintendos nem deram pela minha chegada. Cumprimentei o meu irmão e perguntei-lhe pela Bia.

-está lá fora, no terraço do quarto dela.

Dirigi-me ao local e quando os olhos dela se encontraram com os meus brilharam acompanhados de uma frase.

-estas a ver como conseguiste vir a tempo.

E deu-me os dois beijinhos mais doces daquele dia.

-senta-te à nossa beira.
-obrigado meu anjo, mas prefiro ficar de pé ,pode ser que as dores de cabeça acalmem.

Ela sorriu. Estava com um portátil enterrado nas pernas e ladeada por mais umas quantas meninas e apenas um rapaz. Está enorme. Já tem doze anos, nem acredito que já andei com ela ao colo... Uma das meninas fitava-me com os olhos, tentando perceber se era mesmo eu. A rapariga que andava no nono ano, na escola dela, que de lá tinha saído há uns anos atrás, mas a sua incerteza não a permitia sequer dirigir-me a palavra. Uma outra menina estava de mão dada com o namorado. Os dois muito pequenos e com muitos sonhos. E apaixonados, como todas as paixões nestas idades, claro. Não fosse aquele o dia dos namorados. A uma dada altura, a Julieta apaixonada, depois de uns quantos sussurros ao seu Romeu levanta-se rispidamente do pesado banco de madeira.

-a serio?!

Exclama em tom irónico e muito irritada. Afastou-se do local e sentou-se a uns metros do restante grupo no gelado chão d tijoleira. A miúda que inicialmente me olhava com curiosidade tentava incentivar o pobre rapaz a ceder aos caprichos do seu primeiro amor, a ir ter com ela ao local onde estava e assumir todas as culpas fosse do que fosse. Ligou ao pai para o vir buscar, ajoelhou-se ao pé dela e não sei o que ele lhe disse mas sei que quando o vieram avisar que o pai tinha chegado ela olhou-o nos olhos, deu-lhe um terno beijo e deixou-o ir. O miúdo muito educado, despediu-se de toda a gente, de mim inclusive, que nem conhecia, e quando estava a deixar o terraço a sua menina levanta-se e acompanha-o até à porta. Quando retorna ao terraço, volta a ocupar lugar no banco de madeira.

-fogo! Metade das miúdas lá da escola andam atrás dele!

Quase que imediatamente as pequenitas que a rodeavam dizem “eu não”, na tentativa de não serem apedrejadas pela namorada ciumenta, que teve o seu primeiro arrufo no dia dos namorados, mesmo não sabendo bem o porquê.




by Inês Brito

1.04.2009

Acontecimentos do Catano - Dakar 2009

Há uma acontecimento desportivo que está a decorrer neste momento que me faz espécie: o Dakar. Não que eu tenha alguma coisa contra as motinhas, os popós e os carrinhos grandes, porque até sou uma grande apreciadora e desportos do género (mais Fórmula 1) , mas sim pelo percurso da prova de este ano.
Quando se ouve o nome “Dakar”, sabemos que é uma prova de todo o terreno, realizada em ambiente inóspito e podemos até nem saber onde começa, mas sabemos onde acaba. Acaba sempre em Dakar. Errado! Este ano, a prova inicia-se na Argentina e termina no Chile. Vamos ver quantas letras tem em comum a palavra “Chile” e “Dakar”… Bem tem.. NENHUMAA!

Imaginem uma concurso de cultura geral daqui a uns aninhos sobre a primeira década dos anos 2000.
-Senhor Asdrúbal Coliseu, a próxima pergunta é para cem mil euros. Está preparado?
-Estou sim Dona Catarina Furtado (é para dar charme à coisa).
-Qual foi o primeiro ministro português que, num período de instabilidade económica se pôs a oferecer computadores às criancinhas?
-Eu sei esta. Marcelo Caetano?
-Resposta incorrecta, mas pode errar uma vez, ainda não perdeu tudo. A resposta correcta é José Sócrates. Próxima pergunta. Quem foi o presidente que sucedeu a George W. Bush na presidência dos Estados Unidos da América?
-Foi o Bill Clinton sem sombra de dúvida. Sobre história dos E.U.A. entendo eu!
-Realmente, a Bush pai foi Bill Clinton, mas a pergunta refere-se à primeira década do século XXI.
-Ah, então foi Barack Obama.
-Correcto. Sente-se preparado para a última pergunta. São quinhentos mil euros.
-Estou sim. Chute Dona Catarina.
-Onde terminou a prova do Dakar de 2009? Repito. Onde terminou a prova de Dakar de 2009? Se errar esta pergunta perde tudo o que amealhou até agora.
-Essa questão é bastante fácil. Como o nome indica, terminou em Dakar.
-Tenho muita pena em lhe dizer isto mas a sua resposta está errada. A prova terminou no Chile.
-Nããããããããooo!!

À custa da parvoíce do gajo que decidiu alterar o local de término do Dakar, o senhor Asdrúbal Coliseu nunca irá ganhar o concurso.

1.01.2009

Acontecimentos do Catano - Feliz 2009?

2009 Pictures, Images and Photos
Iniciado um novo ano há que estabelecer desde já objectivos. Um dos meus objectivos, certamente comum a bastante gente, é derreter o resultado de praticamente duas semanas de ingestão de javardices de elevado valor calórico. Quando digo à minha progenitora que a partir de dia dois de Janeiro vou adoptar uma dieta saudável (sem chocolates, que é o que me custa mais, visto der completamente viciada) ela diz-me "Ó Inês, não digas asneiras. Ainda temos o dia de Reis". Na continuação da desmoralização cá de casa, quando disse que em Fevereiro eu e a minha prima nos íamos inscrever num ginásio desataram todos a rir.

O meu pai não disse nada sobre o assunto, mas quase que aposto que os objectivos dele se prendem com conseguir fazer com que a antena parabólica, que comprou há quase um mês, funcione. O máximo que conseguiu até ao dia de hoje foi um canal pornográfico turco em que as gajas não se despem, a BBC Arabic, a TVE Internacional, um canal estranho onde se vê sempre o mesmo senhor árabe a falar para o computador o dia todo com ar de psicopata, um canal de vegetarianos onde insultam os que não o são e... mais uns quantos canais pornográficos turcos, árabes e gregos onde só se vêem fotos de senhoras em posições engraçadas e se ouve uma músiquinha medonha.

A minha mãe nem tenta sequer fazer planos para o novo ano porque sabe que o meu pai os vais destruir. É o costume.

O meu irmão, por sua vez, tem grandes expectativas. Quer adquirir cerca de 5038 jogos para a sua PSP, joga-los todos e acaba-los no espaço de um mês para que nos mês seguinte possa adquirir mais uns quantos 5038 jogos.

Ah, sem esquecer a gata, que certamente quer conseguir trepar os cortinados da sala até ao tecto, o peixe que quer não se esquecer do que fez há 3 segundos atrás e a cadela que provavelmente quer continuar a comer que nem uma lavajona e saltar que nem uma tola como tem feito atá então.


UM COLOSSAL 2009 PARA TODOS